Surpresa?

A surpresa é uma lebre, e quem vai à caça nunca a verá dormindo no campo.

O trecho é de Carmen Martín Gaite, em Nebulosidade Variável. Apesar de contar de forma meio louca os mergulhos nas lembranças de duas amigas, esse livro tem várias pérolas como essa - as quais, definitivamente, eu deveria ter marcado, porque a velocidade com que a leitura flui, exatamente como nossas memórias e devaneios, não me permite encontrar facilmente depois as passagens com as quais me identifiquei, o que significa que provavelmente vou lê-lo de novo, só pra encontrar as tais passagens.

Mas depois de tantas referências à lebre espalhadas pelo livro, fiquei pensando há quanto tempo não tenho uma boa surpresa... talvez um ano, ou mais. Sim, porque surpresas ruins não contam; supresas ruins são sustos, não supresas. E eu quero aquele gostinho bom, o sorriso nos lábios e o coração palpitante de quando a gente encontra a lebre dormindo no campo.

Ah, quero!